Há as dramáticas, as intensas, as de mau feitio. E depois há
as sonsas. As sonsas não levantam a voz, não batem portas, não fazem cenas, não
partem um prato.
Porque pelas costas já é outra conversa. As sonsas têm uma
habilidade especial, conseguem magoar sem deixar impressões digitais.
Dizem que não disseram, fazem de conta que não perceberam, espetam a alfinetada com um sorriso e, se reagires, ainda ficam muito surpreendidas com o teu “drama”.
Elas nunca fizeram nada. Nunca sabem de nada. Nunca tiveram intenção. Foi coincidência. Foi mal-entendido. Foste tu que interpretaste mal. Claro.
A sonsa vive muito de fazer merda com voz baixinha. E atenção às “amigas”. Aquelas que te chamam “minha querida”, sabem tudo da tua vida, conhecem os teus medos e guardam cada informação com um cuidado extraordinário. Não para te proteger, mas para saberem exatamente onde espetar a faca se um dia lhes der jeito.
Não precisam de te enfrentar. Funcionam pela calada. Um comentário aqui, uma insinuação ali, uma conversa “sem maldade nenhuma”, uma confidência que escapou. E depois ficam chocadas quando percebes.
Porque uma sonsa bem feita depende sempre de acreditares que ela seria incapaz. É essa a personagem. A boazinha. A equilibrada. A que nunca cria conflitos, apenas aparece misteriosamente perto de todos eles.
Eu prefiro as intensas. Prefiro quem se irrita comigo na minha cara. Quem me diz que não gosta. Quem discute e depois sabemos exatamente onde estamos.
Dá-me uma pessoa difícil mas verdadeira. As falsas tranquilas podem ficar longe. Porque mau feitio eu reconheço. Uma discussão eu sei resolver. Agora um sorriso acompanhado de uma facada exige outro tipo de atenção.
Nem toda a gente que fala baixinho é paz. Nem toda a “querida” gosta de ti. Nem toda a amiga que te abraça está do teu lado. Há gente que nunca parte um prato. Só parte pessoas. E que as sonsas andam aí, andam.
Só não fazem barulho.





